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João Monlevade é um município brasileiro situado no interior do estado de Minas Gerais. Pertence à Microrregião de Itabira e Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte, localizando-se a leste da capital do estado, distando desta cerca de 110 km.[6] Ocupa uma área de 99,283 km².
Em 2011 sua população foi estimada pelo IBGE em 74 141 habitantes,[7] sendo que em 2010 era o 47º mais populoso de Minas Gerais e o segundo de sua microrregião.
A sede tem uma temperatura média anual de 20,1 °C e na vegetação do município predomina a Mata Atlântica. Em relação à frota automobilística, em 2010 foram contabilizados 28 023 veículos.[8] Com uma taxa de urbanização da ordem de 99 %, Monlevade contava em 2009 com 54 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,807, considerando elevado se comparado ao país.[7]
João Monlevade foi emancipada no século XIX, tendo como principal fator de seu desenvolvimento a instalação daArcelorMittal Aços Longos (antiga Belgo-Mineira), em 1921. Atualmente é formada por quase sessenta bairros,[9] contando com diversos atrativos naturais, históricos e culturais, como a Matriz São José do Operário, construída na década de 1940; e a Forja Catalã, com a imponente e famosa sede (Fazenda Solar), construída para abrigar Jean-Antoine Félix Dissandes de Monlevade, homem que desbravou a região e a quem o atual nome do município homenageia.

História

Origens e pioneirismo

Até o começo do século XIX a região do atual município de João Monlevade não passava de uma área com densa mata fechada. Até que, em agosto de 1817, chega à região o engenheiro francês Jean-Antoine Félix Dissandes de Monlevade. Naquele local, localizado na então Província de Minas Gerais, Jean comandou um estudo mineralógico e geológico do solo do lugar, pesquisa a qual resultou na descoberta de vastas forjas propícias para a produção de ferro.[10]
Após isso, o francês percorreu várias comarcas, como Sabará, Caeté e São Miguel de Piracicaba, onde adquiriu algumas sesmarias e construiu uma forja Catalã, além de sua moradia, o Solar Monlevade, em 1818. Montou uma fábrica, obtendo grande sucesso, sendo uma das maiores do período imperial, produzindo desde enxadas até freios para animais.[10]Em 1935 foi implantada outra grande indústria, a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (atual ArcelorMittal Aços Longos), com ajuda do engenheiro Louis Ensh, o que provocou um grande desenvolvimento da cidade. Destacam-se então, nos anos seguintes, as construções de 3 mil residências, do Hospital Margarida e da Matriz São José do Operário, além de obras em estradas e escolas e evolução do comércio local.[11] O lugar passou a se chamar Centro Industrial do Distrito de Rio Piracicaba e Carneirinhos.[10]

Evolução política e administrativa

Aquele lugar pertencia ao município de Rio Piracicaba. Em 27 de dezembro de 1948, pela lei estadual nº 336, foi criado odistrito de João Monlevade, recebendo essa denominação em homenagem ao engenheiro que desbravou aquela região. O distrito foi elevado à categoria de município pela lei estadual nº 2764, de 30 de dezembro de 1962, sendo instalado em 1º de março de 1963, composto apenas pelo Distrito-Sede.[11] Porém foi somente em 29 de abril de 1964 que Monlevade conseguiu oficialmente autonomia de município.[12]
Sua primeira eleição foi realizada em 1965, quando, em 5 de dezembro desse mesmo ano, tomaram posse os primeirosvereadores (eram 13 no total, sendo Sebastião Batista Gomes o presidente da câmara, João Amaro Gomes o vice e Ronaldo Frade o secretário), além do prefeito, Wilson Alvarenga, e seu vice-prefeito, Josué Henrique Dias.[12] A Comarca de João Monlevade foi criada em 1975 e instalada em 1979.[12]

Depois da emancipação

O desenvolvimento urbano da cidade exigiu uma melhora na infraestrutura urbana de João Monlevade. Além do Hospital Margarida e do Ginásio Monlevade, que foram construídos na década de 50, outras grandes criações que surgiram naquele período foram a Associação Comercial, a Fundação Educacional (futura FUNCEC) e a instalação da Telecomunicações de Minas Gerais (Telemig) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que trouxeram à cidade, respectivamente, fornecimento de telefonia e energia elétrica.[13] Entre as décadas de 1970 e 80 houve um maior investimento no setor cultural, como a construção do Estádio Municipal Louis Ensch.[14]
Hoje a predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, para atender às exigências da expansão urbana, dada pelo aumento das atividades produtivas na cidade (indústriacomércio e serviços) e pelo aumento da demanda habitacional, gerado pela concentração populacional. O limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano.[10] [15]

Geografia

A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 99,283 km², sendo que 0,09 km² constituem a zona urbana e os 99,163 km² restantes constituem a zona rural.[16] Situa-se a 19º48′36” de latitude sul e 43º10′26” de longitude oeste. Está a uma distância de 110 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Bela Vista de Minas, a leste; São Gonçalo do Rio Abaixo, a oeste; Rio Piracicaba, a sul; e Itabira, a norte.[6]

Relevo e hidrografia
O ponto central da cidade tem uma altitude média de 580,57 metros. O ponto culminante do município está na Serra do Seara, onde a altitude chega aos 1 340 metros. Em João Monlevade predomina um relevo montanhoso, sendo que em 68% do território municipal situa-se em domínios de mares de morros e montanhas. 20% está em áreas onduladas e os 12% restante é de terrenos planos. A altitude mínima encontra-se no Córrego Jacui.[6]
O município pertence à Bacia do rio Doce, além de ser banhado pelo Rio Piracicaba e Rio Santa Bárbara.[6] Como a maioria dos municípios mineiros, João Monlevade é rodeada por várias montanhas e rochas. Alguns pontos da cidade cresceram para os morros sem um plano diretor direcionado para uma urbanização em consonância com o meio ambiente, características geofísicas que fazem com que o município sofra com deslizamentos de terra durante o período chuvoso. Em alguns pontos a falta de áreas verdes ainda atrapalha o escoamento das águas das chuvas, causando enchentes e inundações.[17]

Clima

clima monlevadense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical subquente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen),[18] tendo temperatura média anual de 20,1 °C cominvernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas.[19] [20] O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 22,3 °C, sendo a média máxima de 28,2 °C e a mínima de 18,1 °C. E o mês mais frio, julho, de 17,0 °C, sendo 23,1 °C e 12,3 °C as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.[21] [22] [23]
Maiores acumulados de precipitação em 24 horas
registrados em João Monlevade por meses (INMET)[24]
MêsAcumuladoDataMêsAcumuladoData
Janeiro145,2 mm04/01/1997Julho35,9 mm04/07/1976
Fevereiro111 mm17/02/1998Agosto55,8 mm31/08/1998
Março91,2 mm01/03/1997Setembro57 mm29/09/1989
Abril62,8 mm09/04/2006Outubro93,5 mm31/10/1965
Maio71 mm30/05/1979Novembro103 mm10/11/2009
Junho56 mm26/06/1989Dezembro115,2 mm20/12/2011
Período: 01/01/1961 a 31/12/1984, 01/01/1986 a 31/10/1991,
01/04/1993 a 31/12/2002, 01/01/2004-presente.
O tempo aproximado de insolação é de 2 040 horas anuais[25] e a umidade do ar é relativamente elevada, com médias entre 75% e 85%.[26] A precipitação média anual é de 1 265,6 mm, sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem apenas 9,7 mm. Em janeiro, o mês mais chuvoso, a média fica em 254,9 mm.[27] Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos 30 °C, especialmente entre julho e setembro. Em junho de 2000, por exemplo, a precipitação de chuva na cidade não passou dos 0 mm.[28] Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros dequeimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com odesmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade doar.[29]


Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), referentes ao período de 1961 a 1984, 1986 a 1991 (até 31 de outubro), 1993 (a partir de 1° de abril) a 2002 e a partir de 2004, a temperatura mínima absoluta registrada em João Monlevade foi de 1,1 °C em 17 de julho de 1984,[30] e a máxima absoluta de 39,0 °C em 14 de janeiro de 1968.[31] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 145,2 mm em 4 de janeiro de 1997. Outros grandes acumulados foram 115,2 mm em 20 de dezembro de 2011, 111 mm em 17 de fevereiro de 1998, 105,2 mm em 27 de janeiro de 1961, 103,9 mm em 21 de fevereiro de 1964, 103 mm em 10 de novembro de 2009 e 100,3 mm em 23 de janeiro de 1977.[24] O menor índice de umidade relativa do ar (até 29 de abril de 2002) foi de 14% em 13 de junho de 1963.[32]Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Monlevade é o 18 º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais (o 65 º do centro-sul brasileiro), com uma média anual de 11,4865 raios por quilômetro quadrado.[33]
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